Confira o poema que encerrou o evento de lançamento da Coleção Manifesto Dell Anno

Postado em 28/05/2020

Na noite de 27 de maio, a Dell Anno lançou sua nova Coleção Manifesto em um evento online transmitido pelo Instagram da marca em parceria com importantes portais de arquitetura e decoração do país. O encerramento do evento contou com a participação da arquiteta Mariana Martini, que apresentou, diretamente de Milão, uma reinterpretação exclusiva do poema “Arquitetura em Manifesto”, de João Cabral de Melo Neto.

Confira o poema nas versões em português e italiano.

Arquiteta Mariana Martini

Arquitetura em Manifesto
(releitura de João Cabral de Melo Neto)

Arquitetura é a construção da vida diária
É crua como posicionar uma simples porta
É deixar de lado as que fecham, dividem os párias
Compreender a porta que se abre, recebe e conforta

É como erguer paredes
Não as que ilham, oprimem, cerceiam
Mas paredes sólidas, espaços que abrigam
Uterinos, confortando aos que receiam

Que fujam do opaco, do bruto
E deixem descansar o enrijecido concreto
O arquiteto liberta, torna livre do medo
Provê ao homem o claro e o aberto

É preciso contato, sentir luz e sabor
Que acalme o coração agora em brasa;
É aceitar uma vida companheira da dor
e ter o toque da vida sentido na casa

É respirar através dos cômodos
Encontrar um refúgio em um novo início
Aprender aqui nesta terra de tantos amigos
Como o berço do belo tornou-se suplício

O homem é arquiteto de seu próprio destino
Confinado a estas espessas paredes do passado,
Constantemente amurando o presente
Esperando que o pior há cessado

Porém, sou arquiteta

Desenho a realidade que transforma
Sou projetista do eterno e do intermitente
As decisões do agora irão ecoar no amanhã
Bloco por bloco, construirão o presente.

Este é meu manifesto.

Abrigo nos meus traços,
Projetos para todos os sonhos;
Lares para abrigar um novo dia;
E caminhos para um novo viver.


Architettura in Manifesto
(di Augusto Custodio, rileggendo João Cabral de Melo Neto)

Architettura è la costruzione della vita quotidiana
È cruda come sistemare una semplice porta
È lasciar perdere quelle che si chiudono, che dividono i reietti
È comprendere la porta che si apre, che ci accoglie e conforta.

È come costruire muri
Non quelle che ci isolano, opprimono, costringono
Ma pareti solide, spazi che accolgono
Uterini, confortando quelli che hanno paura

Che fuggano dall’opaco, dal brutto
E lascino riposare il duro cemento
L’architetto liberta, ci rende liberi dalla paura
Provvede all’uomo il chiaro e l’aperto

Ci vuole il contatto, sentire luce e sapore
Che calmi il cuore ora in brace
È accettare una vita compagna del dolore
E sentire lo sfiorare della vita nella casa

È respirare attraverso le stanze
È trovare rifugio in un nuovo ricominciare
Imparare in questa terra di tanti amici
Come la culla del bello è diventata un supplizio

L’uomo è architetto del suo proprio destino
Confinato tra le spesse pareti del passato
Costantemente costruendo i muri del presente
Sperando che il peggio sia già stato superato

Però sono architetta

Disegno la realtà̀che trasforma
Sono progettista dell’eterno e dell’intermittente
Le decisioni di oggi risuonano all’indomani
Blocco per blocco costruiranno il presente

Questo è il mio manifesto

Alloggio nei miei schizzi
Progetti per tutti i sogni
Case che danno rifugio a una nuova giornata
E strade per un nuovo vivere.