Em busca de leveza

Postado em 14/02/2020

Texto por: Beth Venzon

 Entre os tantos cronogramas e acontecimentos no mundo da moda, nos deparamos, recentemente, com mais uma série de desfiles incríveis, na expectativa e ansiedade de ver as novidades, as narrativas estéticas e os espetáculos que encantam pelas coleções e também pelos conceitos. 

Foto: Iris Van Herpen, AW/2020.

 A moda une e conecta tantas informações, fascina pela forma como cada criador interpreta seus códigos e nos encanta com signos fortes, traduzidos em imagens e silhuetas em uma passarela nunca óbvia. 

 No momento contemporâneo, a moda é múltipla em conceitos e possibilidades. Observamos que as emoções e sensações ecoam intensamente em cada temporada, tornando-se sempre a mais nova tendência. 

Fluidez, suavidade, delicadeza, leveza, liberdade de movimentos. Inúmeras palavras em sintonia. Na moda, se faz presente o reflexo e a comunicação em busca de um novo lifestyle, que pede para ser mais leve, mais divertido e descontraído, em diferentes experiências e significados. 

Modelagens, cores e materiais, com muita criatividade e tecnologia, revelam esse novo referencial. A ideia é livrar-se de pesos. Podemos vestir camadas e mesclar matérias, mas desde que seja leve, confortável e se conecte com o novo momento. 

A estética da leveza começou a ser desenhada há muito tempo, principalmente com as propostas de moda do grande designer japonês, Issey Myake, que, amando a natureza, estudou construções de roupas e looks que permitissem os movimentos e ritmos do vento. 

Com ele as formas se movem suavemente, os tecidos são finos e os corpos são livres, num convite para desenharem os seus próprios caminhos. Sinais de um tempo, dos anos 1980, cada vez mais presente nesse século XXI. Seu atual diretor criativo, Satoshi Kondo, em sua primeira coleção, reforçou o conceito numa apresentação que encantou a todos de forma espetacular, com performances, movimentos, musicas e looks esvoaçantes. 

As pesquisas e as novas tecnologias nos presentearam com calçados leves e super confortáveis, com roupas em tecidos e modelagens slim ou amplas, mas sempre protagonistas de movimentos leves e livres. Os casacos podem ser longos, mas o peso é de pluma, aquecem nos dias de baixas temperaturas e ainda conseguem ser facilmente transportados e não excedem na bagagem. 

Issey Miyake disse no século XX: “eu não crio uma estética para a moda. Faço estilo com base na vida.” Sábio, e de vanguarda, fez a leitura da importância que a leveza teria em nossas vidas. 

O conceito externado em roupas e tecidos vai muito além da estética e mostra o grande desejo que temos pelo “ser”. A vida é intensa, o ritmo segue em alta velocidade, as escolhas e possibilidades são infinitas e a busca pelo equilíbrio se torna uma constante. 

A moda fortalece o assunto, sociólogos e pensadores intensificam o debate e observamos que tudo ao nosso entorno mostra os sinais da leveza, principalmente, a arquitetura e o design como um todo. É como um renascer e /ou um redescobrir-se. E você, como vê a leveza?