Os Novos anos 20 Os Novos anos 20

Anos Loucos

Esta definição é pertinente quando pensamos em todas as transformações ocorridas durante o período pós-guerra. Uma década festiva, para ser lembrada pela agitação cultural, pelas mudanças de comportamento e de estilos de vida e, principalmente, pelas inovações nos campos da Moda e do Design.

Moda, arte, design e arquitetura propuseram inovações ao criar elementos e/ ou mesclar materiais, gerando novos e desafiadores conceitos e possibilidades. A Bauhaus teve presença determinante e influenciadora.

Quando falamos em Moda, a nova estética foi desenhada por Gabrielle Chanel, protagonista absoluta que, de forma visionária, criou e simplificou as formas, valorizando os materiais e promovendo um estilo moderno e descomplicado de vestir, com decorativismos pontuais.

Observadora atenta, Chanel mesclou informações dos universos masculino, do trabalho, do esportivo e dos locais por onde circulou, criando peças diferenciadas que se tornaram atemporais. Foi ela que sinalizou, nesta época, a linguagem de uma nova elegância, apresentando o novo luxo: o luxo da simplicidade. Foi então, que os acessórios se tornaram fundamentais.

Como ela mesma disse: “não apareci porque precisava criar a moda, criei a moda justamente porque saía, porque, antes de mais nada, eu vivi a vida do século”. Exemplo disso são seus vestidos, como o famoso Petite Robe Noire, o famoso “pretinho básico”, o tailleur e a própria calça. Visionária, introduziu na moda feminina os tecidos como jérsei e tweed. Criou, também, perfume com seu nome e joias fantasia. Isso tudo foi só o começo de um imenso universo de novos caminhos e iconografia autoral, comunicando a essência de Chanel para o mundo.

O visual do período foi denominado “à la garçonne”, que significa “à maneira de um menino”, mostrando o quanto a moda já sinalizava o zeitgeist, ou seja, o desejo de liberdade observado na forma, estilo e comprimento da roupa (próximo aos joelhos), no corte dos cabelos (agora curtos) e no jeito de ser moderno.

Isso tudo ocorria em sintonia perfeita com os novos ritmos musicais do momento, como o Jazz e o Charleston. A moda e a música convidavam todos a se movimentar livremente e agitadamente, dançando a noite toda no doce farfalhar das franjas e bordados, em um som poético de tecidos leves e coloridos.

O estilo Art Déco, denominado Style Moderne, valorizava as formas geometrizadas com efeitos decorativos preciosos e foi sucesso. Os movimentos de seus desenhos refletiam o ritmo e a velocidade da indústria e da cidade desse período. Dourados, brilhos e cores metálicas entraram em cena, fortalecidas com as descobertas arqueológicas egípcias da Tumba do Faraó Tutankamon. Um novo conceito estético decorativo e de mobiliário encantou e ganhou espaço.

O espírito de liberdade e criatividade podia ser visto em todas as áreas:

- A efervescência parisiense chamava a atenção - cidade onde tudo era inovação e de onde partiam para o mundo as informações e as direções da elegância e da sofisticação do vestir.

- Na arte, movimentos de vanguarda como Futurismo, Construtivismo, Cubismo e Surrealismo - entre outros - foram fortes e influentes em seus conceitos e ideias. No Brasil, o movimento Modernista culmina em 1922, com a Semana de Arte Moderna.

- Nas obras, a celebração de novas formas de expressão, capazes de apreender e representar os problemas contemporâneos em uma linguagem própria

A sofisticação foi renovada com elementos modernos, mesclados a resgates de memórias, histórias, lugares, estilos clássicos ou exóticos, mas com a direção de futuro: renovação e evolução.