Os Novos anos 20 Os Novos anos 20

5 visões sobre os novos anos 20

Os novos anos 20 serão tão relevantes culturalmente como foram os anos de 1920?
Para ajudar nesta reflexão, Dell Anno convidou 5 personalidades influentes em diferentes áreas para exporem o que esperam deste novo período.

Lilian Pacce
Dizem que um novo século só começa na década de 20.

E com ele, novos hábitos, novos comportamentos e até revoluções! Vejo essa nova década desafiando muitos valores. A geração Z não quer mais consumir por consumir. O novo para ela pode ser o velho para você. Por isso, os mercados de resale, de aluguel e de troca crescem criando grandes cases de sucesso, colocando a reciclagem e o upcycle na pauta do dia.

Lilian Pacce

Jornalista, apresentadora, escritora, curadora e consultora de moda.

Artur Lescher

Há 100 anos, a arte lutava por sua liberdade e autonomia de linguagem.

Os surrealistas, assim como outras vanguardas, pensaram a arte como uma forma de ampliar a percepção do real e sua potência de transformação. A arte como um instrumento capaz de evocar nossas memórias mais profundas e ancestrais. A arte como uma lente projetiva, que vislumbra o que ainda não tem nome. Acho que foi isso que pautou os artistas que transformaram o começo do século passado e nos trouxeram até aqui.
É disso que precisamos agora, novamente.

Artur Lescher

Artista plástico, com carreira iniciada em meados dos anos 80. Já realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Espanha e Alemanha.

Davi Hertz

Eu vejo na próxima década uma gastronomia que gera muito mais consciência.

Uma oportunidade para o homem se conectar consigo mesmo e com o planeta. Assim, eu vejo 3 funções principais da gastronomia daqui pra frente. Primeiro, como função social, ou como alimentar a humanidade com humanidade, em que surge uma gastronomia mais inclusiva. Segundo, uma gastronomia mais informativa. A cozinha é o laboratório para as pessoas interagirem, se conectarem. É o lugar onde se faz a troca de conhecimento, que traz mais saúde, nutrição. Terceiro, a gastronomia unindo o homem e o planeta, para ficarmos mais conectados com a ecologia, respeitando o que colocar na mesa, considerando os ciclos da natureza. No final, vejo uma gastronomia muito mais local, valorizando as pessoas no sentido de comunidade.

David Hertz

Chef, professor na faculdade Anhembi-Morumbi e empreendedor social fundador da Gastromotiva.

Pedro Franco

Eu acredito no design do futuro sendo uma intersecção cada vez maior entre a artesanalidade local com a alta tecnologia.

Trata-se de um grande desafio. Não é uma coisa simples você conseguir traduzir a verdade desses artesanatos de uma forma autêntica e que seja explorado pela alta tecnologia. Ao mesmo tempo, esta intersecção entre o artesanal e o tecnológico é fundamental dentro de outros problemas. O mundo está vindo de um processo tão robótico, produzindo coisas tão baratas, que estamos entrando num colapso, tanto num sentido de poluição, quanto num sentido social, pois a cada robô que entra, quantas pessoas perdem seus postos de trabalho? A gente produz para que se tenha consumo, se poucas pessoas tiverem poder de consumo, vão ter poucos players lá na frente. É importante a geração de emprego, é importante o pensamento, a alma e a emoção das pessoas, assim como é importante esse diálogo entre as pessoas e a máquina.

Pedro Franco

Designer brasileiro, mundialmente reconhecido. Participante assíduo do Salão Internacional de Milão, com sua marca A Lot of Brazil. Possui importantes premiações nacionais e internacionais.

Edson Busin

Acredito que os novos anos sejam a concretização de uma evolução do morar.

Em termos de comportamento, haverá uma nova ala que irá ressignificar alguns valores. O viver também será sensibilizado por um movimento mais livre e menos apegado, porém, sem abrir mão do conforto, do bem-estar e do convívio social entre família e amigos. Os espaços, sejam amplos ou não, deverão ser preferencialmente funcionais ainda que com forte apelo estético. Por entendermos desta forma, visualizamos uma grande diversidade de materiais, formas, texturas e cores. É um misto do passado, através de nossas memórias, do moderno, que estamos vivendo e do futuro, que projetamos. Esse será o novo viver.

Edson Busin

Diretor de Marketing, Arquitetura, Treinamento e Desenvolvimento de Produto do Grupo Unicasa Móveis.