Yves Saint Laurent aux musée

Postado em 22/03/2022

Texto por: Beth Venzon

Yves Saint Laurent é um gênio! Assim declarou há muitos anos Diana Vreeland, editora da revista Vogue. Sua genialidade é cada vez mais evidente.

 A importância e as contribuições na moda deste grande criador têm extensão infinita e um significado único, por todos os aspectos que podem ser estudados e ainda pelas inúmeras conexões que podem ser construídas a partir de seu legado. Yves sempre nos apresenta um novo capítulo, uma nova forma de entender seu universo criativo.

Inspiração pura!

Há 60 anos, no dia 29 de janeiro de 1962, Yves Saint Laurent fazia o primeiro desfile com sua marca em Paris. Hoje a cidade o celebra de forma magnífica e inédita, abrindo simultaneamente seis exposições em sua homenagem nos principais museus: Centro Pompidou, Musée d’Art Moderne, Musée du Louvre, Musée d’Orsay, Musée National Picasso-Paris, Musée Yves Saint.

Esse texto é um convite a visitarmos algumas destas exposições através das imagens aqui apresentadas por dois amigos queridos que, gentilmente, fizeram os registros e me enviaram. Vamos lá?

“Yves Saint Laurent aux musée” é o nome do projeto que nos leva a caminhar entre obras de arte modernas e contemporâneas, dos acervos e coleções permanentes destes museus e as criações de Yves Saint Laurent. Um passeio que mergulha no universo deste criador que sempre amou a arte, foi um grande colecionador e estabeleceu um diálogo importante entre as duas áreas. Além da sua paixão declarada pela arte, Yves sempre a considerou uma fonte de inspiração infinita. Compreender sua construção estética passa pelo caminho da arte e pela forma como observava a vida ao seu entorno. Sua percepção de mundo, quando as mudanças sociais foram significativas (anos 60), o levou a propor novas formas, uma nova linguagem e novos conceitos de moda.  Nem sempre suas propostas foram compreendidas, mas sempre se mostraram perfeitas e abriram novos caminhos quando falamos do universo feminino.

Criações das coleções outono-inverno de 1992 a 1995, em frente a “La Fée Électricité”, uma obra-prima monumental de Racul Dufy.

A Alta Costura e o Prêt-à -Porter são dois sistemas que, com a ajuda de Yves, ganham valor e inovação. Yves Saint Laurent foi responsável por muitas revoluções para um tempo em movimento e transformação. Sempre olhou a frente, sempre ousou e inovou!

Com ele podemos entender a revolução do vestir por meio de transparências, smoking feminino, alfaiataria inovadora, glamour, o cromatismo em combinações fascinantes (…), enfim, todos esses aspectos indo de encontro ao tom certo. Suas coleções passearam pelas culturas do mundo, resgataram tempos e narraram histórias nas passarelas de forma inusitada. Na moda, mostrou sua força criativa e sua paixão pelo figurino, evidenciando em seu luxo teatral que se mesclava em desfiles nas passarelas.

Arte e moda já tinham laços estreitos, mas Yves Saint Laurent mudou essa relação.  Levou a arte moderna para a Alta Costura em 1965 com o vestido que se tornou clássico, uma homenagem a Piet Mondrian e com certeza todos lembram.

Amigo de Andy Warhol, com a força da Pop Art, inspirava-se também em inúmeros artistas homenageando Matisse, Picasso, Braque, Tom Wesselmam, entre outros.

O motivo de escrever sobre esse grande mestre da moda, além da grande admiração e paixão que tenho, é o quanto ele se torna cada vez mais presente e importante na moda contemporânea.  O tempo passa e percebemos o quanto seu legado é impressionante.

As exposições em Paris abrem um caminho além do que já tínhamos visto de Yves Saint Laurent. Eu acredito que são referenciais para um novo olhar, sem cronologias e com muita força inspiracional. 

Yves foi o primeiro criador de moda a ser homenageado em vida em um museu em dezembro de 1983 na exposição “YSL: Twenty-five years of design” com curadoria de Diana Vreeland e um desafio imenso, quando a moda não se relacionava tão diretamente a arte.   

Três décadas depois e muitas exposições, agora o momento é contemplar, analisar e inspirar-se nessa imensa presença de sua estética, de suas construções e de pensar seus processos na elaboração das criações. O cenário escolhido não poderia ser mais incrível. 

Vestidos assinados por Yves à frente de pinturas de Pierre Bonnard.

Contemplar moda e arte com conexões tão preciosas permitem um olhar mais amplo do quanto ele foi visionário. Em sua sensibilidade, percebeu um mundo em transição e criou um legado imenso que inspira gerações de criadores. A presença da moda dialogando com a arte nos museus tem sido cada vez mais frequente e isso é um caminho que YSL contribuiu de forma significativa.

Visitar o tempo, mergulhar na história, perceber a partir do hoje, o quanto ele ainda é presença forte e o quanto seu caminho estético é permeado pela arte. Isso é compreender a sua essência.

Seu estudo de cores é absurdo, assim como a ousadia das mudanças nas propostas de moda e seus referenciais criativos. Yves renovou o caminho da cor, de combinações, na exuberância das estampas e efeitos visuais. Laranja, rosa e vermelho juntos? Sim! Graças a YSL.

As exposições são um convite para descobrir mais do universo singular deste grande mestre da moda do século XX. Merci!

“Todo homem precisa de seus próprios fantasmas estéticos para sobreviver. A vida só é possível graças a eles. Acho que os encontrei em Piet Mondrian, Pablo Picasso, Henri Matisse. Mas também em Marcel Proust. Sou absolutamente eclético.”  YSL.

Vestidos de Yves Saint Laurent expostos diante dos quadros de Matisse.

“…Apenas tentei criar um elo entre a obra e o vestido, convencido de que uma pintura é um fragmento da nossa época e pode acompanhar a vida de todos”. YSL

Imagens: Manuela Horn e João Maraschin

Confira a entrevista completa com Beth Venzon.